Rolha de cortiça, sintética, de rosca ou vidro?

Essa é uma dúvida bastante corriqueira entre a turma do vinho, especialmente para quem está começando a experimentar vinhos diferentes e acaba se deparando com inúmeros tipos de rolhas. Mas afinal, qual é a diferença, prós, e contras de cada uma?

Rolhas01

Existem diversos tipos de rolha, podem ser de cortiça, aglomerada, sintética, de rosca e até de vidro. E mais do que a função de preservar o vinho, faz parte da identidade do mesmo, artefato que é utilizado desde o século XVII. E cá entre nós, quem não adora aquele barulhinho da rolha saindo da garrafa?

Os tempos mudaram e os custos e necessidades também, e é por isso que hoje encontramos as mais diversas opções de rolhas, e sim, cada uma tem um propósito e um porquê. Vamos ver?

CORTIÇA:

Sem dúvida a mais conhecida e mais apreciada é a rolha de cortiça, produzida a partir da casca do Sobreiro, uma espécie de carvalho do qual se extrai a cortiça. Comumente encontrada no Alentejo é uma das árvores mais predominantes em Portugal.

3_rolha (1)

A cortiça possui um grande poder isolante  e excelente capacidade de conservação e também ajuda na maturação do vinho pois o vinho precisa de um baixíssimo teor de oxigênio para evoluir corretamente, e somente a rolha de cortiça natural proporciona este equilíbrio entre o vinho e o ambiente.

Vantagens: Força da tradição do vinho, excelente capacidade de conservação para qualquer tipo de vinho.

Desvantagens: Está suscetível a contaminação do TCA (a explicação deste feito você encontra no Dialeto do Enochato), aumenta o custo do vinho podendo custar mais de 1 euro a unidade, e mais difícil de abrir.

São três principais tipos de rolhas fabricadas com cortiça: rolha maciça, feita de cortiça maciça considerada a de melhor qualidade; rolha de aglomerado de cortiça que é produzida com sobras de cortiça moída e unificada com cola possuindo elasticidade e durabilidade menores; e a rolha de espumante feita em formato de cogumelo, com duas distintas, a de cima feita de aglomerado e a de baixo maciça.

Diferentes tipos de rolha

SINTÉTICA:

Muita gente ainda torce o nariz quando abre um vinho mais caro e encontra uma rolha sintética. Mas a grande verdade é que elas surgiram como alternativa para a rolha de cortiça visto que o consumo/produção de vinhos aumentou muito mais do que os sobreiro podem suportar. Pode ser de material plástico ou silicone, é ideal para vinhos mais baratos e jovens que devem ser tomados de 1 a 5 anos pois não permitem a troca de oxigênio entre o vinho e o ambiente, mantendo as mesmas características. E para os vinhos brancos são perfeitas!

Vantagens: Parece e soa igual uma rolha de cortiça. É mais barata que a tradicional diminuindo o custo do mesmo e ajudando o seu bolso, não transmite o TCA para o vinho, podem ter diversas cores e são ótimas para vinhos jovens e brancos.

Rolhas sintéticas de vinhos

Desvantagens: A durabilidade ainda não é comprovada não garantindo que um vinho de guarda aguente bem longos anos com uma rolha sintética, o lado estético pode ser bastante negativo para os consumidores mais tradicionais

SCREWCAP OU ROLHA DE ROSCA:

Essa com certeza é a que causa mais polêmica. Já vi muita gente torcendo o nariz quando o garçom traz a garrafa a mesa em um restaurante, quase um “fui enganado!”. Pois todo mundo no fundo quer o ritual quase mágico de abrir a garrafa com o saca-rolhas. Normalmente feita de metal veda completamente o vinho, é eco friendly pois é reciclável e já é grande tendência no mercado e utilizada pela Austrália e Nova Zelândia em quase 100% dos vinhos.

Vantagens: Mais fácil de abrir pois não necessita saca-rolha, livre de contaminações, melhor capacidade de conservação entre todas as rolhas alternativas, ecologicamente correta e permite que o vinho seja guardado em pé sem problemas e possui baixo custo.

Desvantagens: Capacidade de conservação para vinhos de guarda questionada, idealmente utilizada para vinhos jovens e de consumo do dia-a-dia, não preserva a tradição de abrir os vinhos da forma clássica.

ROLHA DE VIDRO:

A rolha de vidro tem aparecido com mais frequência em alguns vinhos, criadas em 2003 na Alemanha ainda são uma novidade e poucas pessoas já se depararam com alguma. Elas possuem um anel de silicone em volta que permite a completa vedação, evitando a contaminação e oxidação do vinho.

Rolhas de vidro

Vantagens: Não necessita saca-rolha, não correm o risco de contaminação por TCA e por serem de vidro são completamente inertes a transferência de aromas ao vinho. Recicláveis, em alguns países da Europa as tampas são recolhidas para serem re-utilizadas.

Desvantagens: Os mais tradicionalistas ainda torcem o nariz para as rolhas mais modernas pois novamente não preserva a tradição de abrir os vinhos da forma clássica. Como é muito recente ainda não foi possível analisar sua completa eficiência a médio e longo prazo.

E você, qual prefere?

Vai, conta aqui o que você achou disso

%d blogueiros gostam disto: