Riesling: A uva branca que virou tinta!

A Riesling, uma casta branca encontrada principalmente na França e Alemanha, produz um vinho inteiramente particular dos demais: Aromas de petróleo, tinta e pedra de isqueiro. Coincidência ou não, motiva uma legião de fãs a tatuarem seu nome mundo afora!

O vinho feito de Riesling é completamente diferente de qualquer outro. Geralmente é fraco em álcool (Entre 8% e 12,5%), de grande acidez, possui um natural frutado e normalmente apresenta exóticas notas mineiras, como pedra de isqueiro, e químicas, como tinta e petróleo. Normalmente é um vinho para pessoas já introduzidas ao mundo do vinho.

Mas existe uma legião de pessoas ao redor do mundo que acreditam que a Riesling não é um vinho tão sisudo e sério, pelo ao contrário, é o vinho perfeito para o verão e para os jovens!

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Riesling: Verão e Juventude.

Tudo começou em 2008, quando foi criado o conceito “Verão do Riesling” (Summer of Riesling) pelo restaurateur de Manhattan Paul Grieco, gerente geral do Terroir Wine Bar East Village. Nesse ano, o ÚNICO vinho branco que os clientes encontraram no restaurante foi o Riesling — 30 vinhos diferentes em taça e 100 em garrafa — um movimento radical. O programa se expandiu tanto que hoje já é praticado em mais de 150 restaurantes, em 20 estados, nos Estados Unidos.

Uma verdadeira revolução, transformando a uva de paladares mais exigentes em cultura pop! O sucesso foi tamanho que levou dezenas e dezenas de jovens a escrever na própria pele o nome da uva sensação!

Tattos
Tatuagens de fãs da Riesling

Os dois países mais reconhecidos em sua produção são a Alemanha e a França, mas  existe ainda uma vinificação interessante na Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá (na forma de icewine) e no Alto Adige e Friuli, norte da Itália, onde é chamado de Riesling Renano. Uma curiosidade é o formato de sua garrafa, utilizada especialmente para esta casta, chamada de Rhenana, bem distinta das tradicionais.

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Garrafa Rhenana

Ela tem como berço a região vinícola de Reinghau, Alemanha, onde produz excelente vinhos, tanto secos (Trocken) quanto doces, como os Eiswein,  Beerenauslese (BA) ou Trockenbeerenauslese (TBA), de ótima mineralidade e notas cítricas. Ela é cultivada há mais de 4 décadas no país teutônico, tendo a região de Mosel Saar-Ruwer o seu maior vinhedo (1/3 de todo o vinhedo desta uva no país) e sua maior expressão neste país.

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Mapa das Regiões Vinícolas da Alemanha (Mapa da Wine Society).

 

A localidade aonde ela mais se destaca é na Alsácia, Nordeste da França, a única região deste país que a casta alemã é oficialmente autorizada. Aqui ela encontra, para muitos, a sua máxima expressão, onde revela intensos aromas minerais, como pedra de isqueiro, e notais de petróleo e tinta, além de uma elegante acidez, podendo ser envelhecido por décadas e décadas.

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Mapa da Alsácia, Franca (Mapa da Winefolly).

 

Aproveitando esse clima de Verão, e meu apreço por tatuagens, resolvi experimentar duas garrafas dessa casta, mas de países não tão tradicionais na elaboração: O Stone Cap Riesling, de Columbia Valley, EUA, e o Arrepiado Velho Riesling, do Alentejo, Portugal.

 

Stone Cap Riesling
Stone Cap Riesling

 

O primeiro é um vinho do Estado de Washington com aromas de pêssego e damasco  acentuados por notas de mel e maçã, de acidez bem presente. Um ótimo vinho para ser acompanhado  com carne de caranguejo e ostras. Também é excelente com pratos asiáticos picantes. Recebeu 87 pontos na Wine Enthusiast.

Arrepiado Velho Riesling
Arrepiado Velho Riesling

 O Segundo é de uma vinícola que já estive e gosto bastante, Herdade do Arrepiado Velho. Ela tem uns rótulos bem ousados, difíceis até se se saber o nome do vinho. O Enólogo é o António Maçanita, uma das revelações do momento na terra dos gajos. Na taça, possui um Amarelo citrino limpo, notas de toranja fresca com alguns toque químicos e minerais. Excelente com peixes defumados e algumas sobremesas á base de frutas.

E aí, convencido a experimentar essa uva? Quem sabe rende até uma tatuagem.

 Até a próxima!

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