A Era dos Vinhos Elegantes

Para muitos a expressão “vinho elegante” remete com certeza a um vinho de fraque ou com um colar de pérolas no gargalo. Ou então a necessidade de um dress code passeio completo e uma taça de cristal Baccarat para poder beber o tal elegante. O vinho elegante é a estrela da taça, ele brilha mesmo quando não é o protagonista, e vamos te explicar quem são eles!

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Mesmo sendo considerada uma expressão “enochata”, ela vem se popularizando e é fato que os burburinhos sobre vinhos elegantes ou de taninos elegantes tem inundado o mundo de Baco. Mas que raios de vinho elegante é esse? Esta elegância e também fineza basicamente traduz-se em um vinho que não contenha características exageradas, ou seja, um vinho elegante não é encorpado demais, exuberante demais, tânico demais, potente demais.

É um vinho mais fácil de beber, sem arestas, com complexidade, delicado, com taninos largos e maduros, ricos em aromas e extremamente equilibrados, sem erros. Não tem tanta potência, mas possuem uma riqueza e um encanto especiais.

É como um veludo passeando pelas papilas gustativas, com uma boa marcação de tanino, como se estes fizessem um ballet dentro da boca, intenso porém delicado. Um vinho elegante é como uma bailarina do Bolshoi, ela é forte, resistente, extremamente competente onde o processo para chegar onde está foi árduo, mas quando ela entra no palco, vemos uma pluma flutuando, saltitando e rodopiando de uma forma tão suave que nos enche de prazer por apreciar o momento.

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Isso para mim reflete o que é um vinho elegante. Você se regozija ao desfrutar daquele sublime momento e você sabe quando o encontra. Acha-se tal elegância especialmente em sua textura e final de boca, onde mesmo sendo difícil de definir, quando estiver diante de um vinho elegante você vai entender o que isso significa.

E essa nova era começa porque o mercado cansou de beber o mesmo vinho, muitos não querem mais saber de vinhos ultra concentrados, potentes, com forte extração de taninos, e aquele demasiado gosto de madeira que mais lembra um chá de carvalho do que um vinho. A Borgonha e o Piemonte são os campeões no quesito elegância, levam nota 10.

Belíssimo exemplar de um Barolo que exala elegância.
Belíssimo exemplar de um Barolo que exala elegância.

 

Encontramos muitos exemplares deles em todas as regiões do mundo, basta unir o terroir certo ao poder das mãos de um bom enólogo.

No Chile o Alma Tinta da Viña Mostazal representa bem este tipo de vinho.
No Chile o Alma Tinta da Viña Mostazal representa bem este tipo de vinho.

Para alguns a elegância vem de berço. E com o vinho não é diferente, é no vinhedo que ela nasce, a uva se adapta ao terroir, o equilíbrio entre o clima, insolação, água e solo fazem com que ela atinja a maturação ideal e o toque final acontece na cantina sob os cuidados do enólogo ao saber lidar com seus defeitos e qualidades.

São vinhos que trazem uma memória do lugar onde são feitos, onde a terra os transmite algo tão especial como se fossem um pedaço dela.

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E se há um vinho que traduz o que é a elegância de berço, ele é o Romaneé-Conti. Um ícone da Borgonha.

Eu particularmente adoro o início dessa nova era e aplaudo de pé o mercado começar a caminhar nesta direção!

Dá próxima vez que estiver bebendo um vinho e algo lhe remeter a alguma das características acima, tenha a certeza de que você encontrou um belo exemplar vestido rigorosamente a caráter!

Vai, conta aqui o que você achou disso

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